INÍCIOS, DECISÕES E ESCOLHAS.

COMO A ECONOMIA REALMENTE FUNCIONA

O Que é a Economia e como ela funciona?

Discutiremos as ideias de Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates uma das maiores no ramo de Hedge Funds, em sua forma mais pura sobre o que é a economia e como ela funciona.

A economia funciona como uma máquina simples, mas a maioria das pessoas não entendem como ela realmente funciona. Em sua forma mais simples, a economia funciona de forma mecânica e simples, feita de algumas poucas partes e muitas transações feitas repetidamente.

Essas transações são guiadas pela natureza humana e criam as 3 principais forças que guiam a economia.

1. Aumento de produtividade

Crescimento da Produtividade

2. Ciclo de débito a curto prazo

CICLO DE DÍVIDA DE CURTO PRAZO

3. Ciclo de débito a longo prazo

CICLO DE DÍVIDA DE LONGO PRAZO

TRANSAÇÕES

Uma economia nada mais é que a soma de suas transações. Fazemos transações diariamente. Toda vez que você compra algo, cria uma transação. Cada transação consiste do comprador trocando dinheiro ou crédito com um vendedor por bens, serviços ou ativos financeiros.

Transacçoes

Crédito é gasto assim como dinheiro, então adicionando o total gasto em dinheiro e o total gasto em crédito, pode-se saber o gasto total que guia a economia adiante.

Se dividir o montante gasto pela quantidade vendida, você chega no preço. Isso tudo junto é o que consiste uma transação, o alicerce de toda a economia.

Todas as forças e ciclos dentro de uma economia são guiados por transações, então se conseguirmos entender transações, poderemos entender a economia como um todo.

UM MERCADO

No total, o mercado consiste de todos os compradores e vendedores dentro de uma economia fazendo transações pela mesma coisa.

Por exemplo, Existe um mercado de grãos, mercado de ações, mercado de veículos, mercado de petróleo e milhões de outras coisas. Uma economia consiste de todas as transações em todos os mercados e, se você juntar o total gasto e a quantia total de todos os mercados você terá tudo o que precisa para entender a economia.

Pessoas, negócios, bancos e governos, todos fazem transações como descrito; trocando dinheiro e crédito por bens, serviços e ativos.

O GOVERNO

O governo é o maior comprador e vendedor, o que consiste de duas partes importantes.

O governo central que coleta as taxas e gasta dinheiro e um banco central, que é diferente de outros compradores e vendedores pois controla a quantia de dinheiro e crédito na economia.

O BANCO CENTRAL

O banco central exerce seu controle influenciando taxas de juros e imprimindo mais dinheiro. Por essas razões que ele é um fator importante para o fluxo de crédito em uma economia.

CRÉDITO

Crédito é provavelmente a parte mais importante e mais mal interpretada da economia. É importante pois é a maior e mais volátil parte da economia. Da mesma forma que compradores e vendedores vão ao mercado fazer transações, o mesmo ocorre com credores e mutuários.

Credores geralmente querem transformar seu dinheiro em mais dinheiro e mutuários geralmente querem comprar algo que não podem comprar, como casas, carros ou começar um negócio.

Crédito pode permitir tanto credores quanto mutuários conseguir o que querem. O mutuário promete devolver a quantidade que tomos emprestada, chamada de princípio + uma quantia adicional chamada de juros. Quanto as taxas de juros estão altas, há menos empréstimos na economia pois fica caro, mas quando as taxas abaixam mais pessoas querem fazer empréstimos pois sai mais barato. Quando o mutuário promete pagar e o credor acredita que ele é capaz de fazê-lo, crédito é criado. Realmente, qualquer duas pessoas podem concordar em gerar crédito do nada.

Crédito pode ser complicado de entender pois, assim que é criado, se transforma em débito.

Débito é tanto um ativo para o credor e um passivo para o mutuário. No futuro, quando o mutuário pagar o empréstimo com jurus ao credor, ambos ativo e passivo desaparecem e a transação é encerrada.

Crédito é tão importante para a economia pois quando um mutuário recebe crédito, ele é capaz de aumentar seus gastos e é esse aumento em gastos que move a economia adiante. Já que o gasto de uma pessoa é o lucro de outra. Então, a cada real que você gasta significa que outra pessoa ganha mais e quando a renda aumenta, isso torna os credores mais inclinados a emprestar dinheiro, afinal as pessoas estão ganhando mais e por isso são mais dignas de crédito. O mutuário com crédito possui duas coisas, que são a capacidade de pagar e colateral.

Resumidamente, mais renda permite mais empréstimos, consequentemente mais gastos e, como o gasto de alguém é a renda de outro, esse aumento por toda a tabela leva a um padrão auto suficiente que leva ao crescimento econômico e é a razão de termos ciclos na economia.

CICLOS ECONÔMICOS

Em uma transação, você tem que dar algo para receber algo e o quanto você recebe depende do quando produz.
Com o tempo, os humanos aprendem e esse conhecimento acumulado leva a padrões de vida mais altos, conhecidos como aumento de produtividade.

As pessoas inovadoras e trabalhadores aumentarão seus padrões de vida mais rápido do que as complacentes e preguiçosas. Mas isso não é necessariamente verdade a curto prazo, é no longo prazo que a produtividade mais importa. A curto prazo o que mais importa é o crédito e isso é por que aumento de produtividade não varia muito e é uma linha de crescimento lendo, aproximadamente 2%, não sendo, portanto, um grande fator nas inclinações econômicas.

Débito é o maior fator, pois nos permite consumir mais do que produzimos e quando o adquirimos, somos forçados a consumir menos para pagá-lo.

INCLINAÇÃO DE DÉBITO OCORRE EM DOIS GRANDES CICLOS:

1. Levando aproximadamente de 5 a 8 anos
2. Levando aproximadamente de 75 a 100 anos

Mas como as pessoas vivem dia a dia, geralmente não sentem os ciclos já que numa escala diária, eles não são sentidos de forma tão intensa.

As oscilações nos ciclos são geralmente devidas à quantidade de crédito na economia enquanto o aumento de produtividade é constante. Por exemplo, em uma economia sem crédito, a única forma de uma pessoa aumentar seus gastos é com aumento de renda e, sem crédito, a única forma de fazer isso é com um aumento de produtividade, o que resultaria num crescimento leve mas constante. Mas como na economia temos crédito e fazemos empréstimos para crescer, isso causa ciclos.

Um empréstimo é simplesmente uma forma de adiantar um gasto, já que para comprar algo que não consegue pagar, você precisa gastar mais dinheiro do que produz e, para fazê-lo, essencialmente precisa emprestar dinheiro do seu eu futuro. Fazendo esse empréstimo de dinheiro, você está criando um período no futuro no qual precisará gastar menos para pagar o dinheiro emprestado. Esse processo cria um ciclo e esse ciclo é o mesmo visto na economia em larga escala.

Este processo é o que torna o crédito tão importante na economia, já que põe em movimento uma série de eventos mecânicos de ciclos do que vai acontecer no futuro. Isso torna o crédito diferente do dinheiro.

DINHEIRO VS CRÉDITO

Dinheiro é com o que você fecha transações, por exemplo, quando entra num bar e compra uma cerveja e paga com dinheiro vivo, a transação é fechada imediatamente. Mas quando compra uma cerveja no bar com crédito, é como se abrisse uma conta ‘fiado’, na qual você promete pagar no futuro, efetivamente criando crédito com um ativo para o dono do bar e um passivo para você, a pessoa prometendo pagar pela cerveja. No final, quando o bar tem o ativo pago e o passivo desaparece, a transação é encerrada.

 

Na verdade, na economia o que a maioria das pessoas chama de dinheiro é, na verdade, crédito. Por exemplo, nos EUA o montante de crédito na economia é de aproximadamente 50 trilhões de dólares, enquanto o dinheiro na economia é de cerca de 3 trilhões de dólares.

A economia precisa de crédito, pois sem ele a única forma de aumentar os gastos e o crescimento é através da produtividade. Crédito permite que a renda cresça no curto prazo mas não no longo. Crédito é bom para a economia como um todo quando organiza os recursos eficientemente e produz renda que possa facilmente pagar o débito, mas também pode ser ruim quando alimenta gastos exagerados que não podem ser pagos de volta.

Existem bons e maus exemplos do uso de crédito. Por exemplo, se uma pessoa empresta dinheiro para comprar um TV grande, essa compra não ajudará o mutuário a devolver o dinheiro que usou para comprar a TV. Se o mutuário usar o dinheiro para abrir um negócio e esse negócio aumentar sua renda, então poderá pagar seu débito e aumentar seu padrão de vida.

Em uma economia com crédito, podemos seguir as transações e ver como o crédito gera crescimento. Por exemplo, uma pessoa que ganha R$100.000 e não tem débito, pode ser digna de R$10.000, aumentando seu poder de compra para R$110.000, independente do fato de que ela só ganha R$100.000 e, como o poder de compra de uma pessoa é a renda de outra, a próxima está ganhando R$110.000 e tem crédito de R$11.000, aumentando seu poder de compra para R$121.000. Este processo se move pela economia num padrão que se reforça criando crescimento. Porém, fazer empréstimos gera ciclos e, se o ciclo sobe, eventualmente desce e esse contínuo é conhecido como ciclo do débito de curto prazo.

No ciclo de débito a curto prazo, na primeira etapa, enquanto a atividade econômica aumenta, vemos uma expansão em atividade econômica e os gastos continuam a aumentar levando os preços consigo. Isso ocorre pois o aumento em gasto é alimentado por crédito, que pode ser gerado instantaneamente, do nada. Quando a quantidade de renda cresce mais rápido que a produção de bens, os preços sobem e quando isso ocorre na economia, chamamos de inflação.

O banco central não quer inflação demais, já que isso causa problemas. Quando o banco central vê que os preços aumentaram demais, ele aumenta as taxas de juros e com isso menos pessoas podem arcar com os empréstimos, já que a quantidade a ser devolvida é maior.

Quando as taxas de juros aumentam, o custo dos débitos existentes também aumenta. Por exemplo, quando taxas de juros sobrem, pode pensar nisso como o preço da mensalidade do seu cartão subindo.

Conforme as pessoas compram menos e pagam mais débitos, ficam com menos dinheiro para gastar. Se as pessoas têm menos dinheiro pra gastar e o gasto de uma é a renda de outra, então a renda cai e os gastos diminuem, fazendo o padrão que se reforça tomar a direção oposta.

Quando as pessoas gastam menos, os preços caem e isso é chamado de Deflação. A atividade econômica diminui e temos uma recessão. Se a recessão se tornar severa demais e a inflação deixar de ser um problema, o banco central diminuirá as taxas de juros, causando o aumento da atividade econômica novamente. Isso é porque quando as taxas de juros são diminuídas, os pagamentos de débitos diminuem e os empréstimos e gastos aumentam, criando expansão novamente.

A partir deste processo, podemos ver que a economia funciona como uma máquina. No ciclo de débito a curto prazo, os gastos são restritos apenas pela inclinação dos credores e mutuários de prover e receber crédito. Quando crédito é facilmente disponível, há uma expansão econômica e quando ele não está disponível, há recessão.

Esse ciclo de débito a curto prazo é controlado principalmente pelo banco central e dura cerca de 5 a 8 anos, acontecendo repetidas vezes através das décadas.

Através destes ciclos, é possível notar que o ápice e a base de cada ciclo termina maior que a do último, com mais crescimento e mais débito. Isso é causado pela natureza humana, que possui mais inclinação a emprestar e gastar do que pagar os débitos.

É por isso que possuímos o ciclo de débito a longo prazo, já que a longo prazo, débitos aumentam mais rápido do que as rendas. Apesar do fato dos mutuários se tornarem mais endividados, credores estendem crédito com mais liberdades, e isso é porque todos acham que a economia está indo bem, já que as pessoas estão sempre focadas no que vem acontecendo recentemente, que é o aumento das rendas, dos ativos, mercados de ações em alta e isso é o que chamamos de ‘Boom’, no qual vale a pena comprar serviços e ativos com dinheiro emprestado. Quando muitas pessoas o fazem, é o que chamamos de ‘Bolha’. Nessa situação, mesmo que os débitos estejam crescendo, as rendas vêm crescendo quase tão rápido quanto, para compensá-lo. Essa relação entre débito e renda é conhecida como dívidas acumuladas. Desde que a renda continue a crescer, as dívidas se mantêm gerenciáveis.

Ao mesmo tempo, os valores dos ativos disparam, as pessoas fazem empréstimos enormes para comprá-los como investimento, fazendo os preços subirem ainda mais e as pessoas se sentem ricas. Então mesmo com o acúmulo de vários débitos, o crescimento da renda e os valores dos ativos ajudam os mutuários a se manterem dignos de crédito por muito tempo. Mas isso, certamente, não pode continuar pra sempre e, com o passar das décadas, a dívida acumulada lentamente cresce, causando mais e mais pagamentos e, em certo ponto, os pagamentos começam a aumentar mais rápido do que a renda, forçando as pessoas a cortar gastos e, já que o gasto de uma é a renda da outra, as rendas começam a despencar, fazendo as pessoas perderem crédito, diminuindo empréstimos enquanto os pagamentos continuam a aumentar, causando a diminuição de ainda mais gastos e assim o ciclo se reverte.

A dívida acumulada se torna simplesmente grande demais, como em 2008, 1989 no Japão e 1929 nos EUA. Nesse ponto, a economia precisa entrar na fase de desalavancagem.

DESALAVANCAGEM

Num desalavancamento, as pessoas cortam gastos, a renda cai, o crédito desaparece, os preços dos ativos caem, o mercado de ações quebra e as tensões sociais crescem enquanto essa ação auto reforçante começa a se consumir. Conforme a renda cai e os pagamentos de débitos crescem, mutuários ficam apertados e deixam de ser dignos de crédito, enquanto ficam assim, não podem mais emprestar dinheiro suficiente para pagar seu débitos.

Na correria para preencher esse dinheiro faltante, são forçados a vender ativos, essa correria para vendê-los inunda o mercado ao mesmo tempo que os gastos diminuem. É nesse ponto que o mercado imobiliário entra em colapso, as ações caem e os bancos ficam com problemas. Conforme os preços dos ativos diminuem, o valor do colateral dos mutuários diminui, tornando-os ainda menos dignos de crédito e as pessoas se sentem pobres. O crédito rapidamente desaparece e tem menos gastos, menos renda, menos riqueza, menos crédito e menos empréstimos, causando um ciclo similar a uma recessão. Porém, a diferença em um desalavancamento é que as taxas de juros não podem ser mais diminuídas para salvar a economia.

Em uma recessão, diminuir as taxas de jurus funciona para estimular empréstimos, mas num desalvancamento, reduzir as taxas ainda mais não funciona, já que as taxas já estão baixas. Chegando a 0% não há mais estímulo a oferecer.

A diferença entre um recesso e um desalavancamento é que a dívida acumulada simplesmente se tornou grande demais e não pode ser aliviada por baixas taxas de juros. Credores percebem que os débitos se tornaram grandes demais pra serem pagos completamente. Mutuários perderam sua capacidade de pagar e seu colateral perdeu valor e se sente incapacitado pelo débito, sequer querendo fazer mais empréstimos. Credores param de emprestar e mutuários param de pegar emprestado, com isso a economia como um todo deixa de ser digna de crédito.

O problema com o desalavancamento é que a dívida acumulada se tornou grande demais e precisa diminuir. Existem 4 formas pelas quais isso pode ser alcançado.

 

1. CORTES DE GASTOS

Os negócios civis e governamentais cortam seus gastos

2. REDUÇÃO DE DÉBITO

Débitos são reduzidos através de padrões e reestruturamento.

3. REDISTRIBUIÇÃO DE RIQUEZA

A riqueza é redistribuída do ‘tem’ ao ‘não tem’

4. IMPRESSÃO DE MOEDA

O banco central imprime novo dinheiro.

Essas 4 ferramentas têm sido usadas pela história moderna como uma forma de desalavancar a economia. Geralmente são os gastos que são cortados, o que é frequentemente chamado de austeridade. Quando mutuários param de adquirir novos débitos e começam a pagar os antigos, se esperaria que a dívida acumulada diminuísse. Porém, o oposto ocorre, pois quando os gastos são cortados e o gasto de uma pessoa é a renda de outra, isso gera a queda de renda, caindo mais rápido do que os débitos são pagos, tornando os débitos ainda piores. Este corte de gastos é deflacionário e doloroso na economia, com negócios sendo forçados a cortar custos, gerando aumento de desemprego.

No próximo passo – Débitos tem de ser reduzidos; já que muitos mutuários não são mais capazes de pagar seus empréstimos e o problema é que os débitos de uma pessoa são os ativos de outra no caso do banco. Portanto se um mutuário está inapto a pagar o banco, então outras pessoas começam a se preocupar que o banco vá ficar sem dinheiro para pagá-las. Então as pessoas se apressam em retirar seu dinheiro do banco. Bancos, pessoas e negócios entram em default em suas dívidas e essa severa contração econômica é chamada de depressão.

Uma grande parte de uma depressão é quando boa parte do que as pessoas achavam que era sua riqueza não está mais lá. Voltemos ao exemplo do bar. Quando a pessoa vai ao bar para comprar uma cerveja e promete pagar demais, está criando um ativo para o dono do bar e um passivo para o cliente comprando a cerveja. Mas se o cliente sai do bar sem pagar a cerveja e entra em default, esse ativo do dono do bar, em efeito, não vale mais nada e desaparece.

Então, muitos donos de ativos, como banco, não querem vê-los desaparecer dessa forma, então concordam em reestruturar o débito. Isso significa que os credores serão pagos menos no débito ou serão pagos com o passar de um tempo mais longo do que o débito original, ou com uma taxa de juros menor do que a concordada inicialmente. Apesar de esta não ser uma situação ideal para o credor, ele prefere receber um pouco do que nada.

Apesar desse débito desaparecer, reestruturação de débitos faz com que rendas e valores de ativos desaparecem ainda mais rápido e a dívida acumulada continua a piorar. Assim como cortes de gastos, redução de débito também é dolorosa, deflacionária e todos os outros impactos ao governo central, pois menos renda e menos empregos significam que o governo coleta menos taxas e ao mesmo tempo aumenta seus gastos, pois o desemprego aumentou e muitos deles não tem economias adequadas e precisam de suporte financeiro do governo.

Adicionalmente, governos criam planos de estímulo e aumentam seus gastos como forma de compensar a diminuição na economia, o que aumenta o deficit governamental, já que eles estão gastando mais do que arrecadam em taxas.

Para financiar o deficit, os governos precisam aumentar as taxas ou fazer empréstimos, mas com a renda caindo, os mais pobres não são capazes de pagar ainda mais taxas, então o governo deve taxar os ricos, já que a riqueza está altamente concentrada nas mãos de uma pequena parcela de pessoas. Esse aumento nas taxas dos mais ricos causa uma redistribuição de renda na economia, dos mais ricos aos mais pobres.

Estes problemas podem levar a tensões sociais, desordem e mudanças políticas extremas. Tensões podem até mesmo surgir entre países, especialmente países devedores e seus credores. Tudo isso cria uma pressão pelo fim da depressão. Lembe que o que a maioria das pessoas pensa que é dinheiro é, na verdade, crédito, então quando o crédito desaparece as pessoas não tem mais dinheiro e ficam desesperadas por ele.

A única forma de criar dinheiro é através do banco central. Após já ter diminuído as taxas de juros para 0%, o banco central é forçado a imprimir dinheiro.

Diferente das 3 primeiras ferramentas que são todas deflacionárias, imprimir dinheiro é inflacionário e um estimulante para a economia. O banco central imprimirá dinheiro e o usará para comprar ativos financeiros e ligações governamentais. Ao comprar ativos com o novo dinheiro, ajuda a aumentar seus preços, o que ajuda as pessoas a se tornarem mais dignas de crédito.

Porém, isso só ajuda aqueles que possuem ativos financeiros, já que o banco central imprime dinheiro mas só pode comprar ativos. Porém, o governo central pode comprar bens e serviços e colocar dinheiro nas mãos das pessoas, mas o governo central não imprime dinheiro. Portanto, para estimular a economia, o banco central e o governo central devem cooperar.

Comprando ligações governamentais, o banco central está efetivamente emprestando dinheiro ao governo, permitindo-o um deficit e o aumento de gastos em bens e serviços através de seu programa de estímulo e em benefícios aos desempregados, o que aumenta a renda das pessoas  assim como a dívida governamental. Porém, diminui a dívida total da economia.

Esses são tempos arriscados na economia e os políticos deve balancear as 4 ferramentas usadas para diminuir a dívida acumulada, balanceando medidas deflacionarias e inflacionárias para manter a estabilidade. Se o desalavancamento for balanceado corretamente, pode ser lindo.

Um desalavancamento pode ser lindo ou horrendo. Apesar dele ser uma situação difícil para a economia, a forma com a qual é lidado é crucial. Se o desalavancamento for feito corretamente, as dívidas diminuirão em relação as rendas, o verdadeiro crescimento econômico será positivo e a inflação não será um problema. Tudo isso é conseguido mantendo um equilíbrio entre as 4 ferramentas para que as estabilidades econômicas e sociais sejam mantidas.

Algumas vezes a questão de que imprimir dinheiro aumentará a inflação surge. Porém, imprimir dinheiro não aumentará a inflação se compensar a falta de crédito, já que o que importa são os gastos. Um dólar gasto com dinheiro possui o mesmo efeito que um dólar gasto com crédito. Ao imprimir dinheiro, o banco central pode compensar pelo desaparecimento do crédito com um aumento da quantidade de dinheiro.

Para dar a volta na situação, o banco central não só precisa alavancar o crescimento da renda, mas aumentar a taxa de crescimento da mesma além da taxa de jurus da dívida acumulada. Basicamente, a renda tem que crescer mais rápido que a dívida.

Por exemplo, imaginemos que um país passando por um desalavancamento tem uma relação dívida – renda de 1:1, que significa que a dívida do país é igual ao rendimento anual do país. Mas os juros nessa dívida são de 2% e o crescimento da renda é de 1%, então essa dívida nunca será reduzida. É aí que o banco central precisa imprimir dinheiro suficiente para fazer a taxa de crescimento da renda ficar maior que a taxa de juros da dívida.

Porém, imprimir dinheiro na economia pode facilmente ser abusada, já que é tão fácil de se fazer e as pessoas a preferem em relação às outras alternativas. A chave é evitar imprimir dinheiro demais e criar inflação inaceitavelmente alta, como a Alemanha fez em seu desalavancamento na década de 20. É importante que os políticos mantenham o equilíbrio para que o crescimento seja lento mas a dívida acumulada diminua. Essa é a forma certa de desalavancar a economia.

Quando a dívida acumulada finalmente começa a diminuir, as pessoas voltam a ser capazes de fazer empréstimos e eventualmente a economia volta a crescer, levando a uma fase de reflação do ciclo de débito a longo prazo.

Geralmente leva cerca de uma década para a dívida acumulada cair e a atividade econômica retornar ao normal, por isso o termo ‘década perdida’.

CONCLUINDO

A economia é mais complicada do que isso:

Porém, colocando o ciclo de débito a curto prazo sobre o de longo pazo e, colocando ambos sobre a linha de crescimento econômico nos dá um bom modelo da economia na qual já estivemos, a que estamos e à qual estamos indo.

AS TRÊS REGRAS

1. Não deixe a dívida crescer mais rápido que a renda, pois a dívida acumulada vai eventualmente quebrar a economia.

2. Não deixe a renda crescer mais rápido que a produtividade, pois isso eventualmente levará à economia deixando de ser competitiva.

3. Tudo deve ser feito para aumentar a produtividade, pois é o que mais importa a longo prazo.